Covil

O pior PARALÍTICO é aquele que não quer andar.
Quem MORRE por gosto não cansa.
Quem muito se ARMA, muito se fode.
Mais depressa se apanha um mentiroso do que um COXO.

Thursday, October 27, 2005

Episódio piloto: O encontro

Local privilegiado de introspecções, a lixeira municipal é palco de uma choradeira descomunal protagonizada por Martim Apodrecido. Mais uma vez, os seus colegas de trabalho tinham gozado com o seu sobrenome, associando-o a manteiga rançosa, fruta colhida há mais de três meses, carne crua há uma semana fora do frigorífico.

A única pessoa que o apoiava nestas alturas era o seu amigo sensato Daniel Caralhadas. “Não fiques assim caralho, a chorar por causa daqueles filhos da puta… Tamos quase a ir embora, vamos beber umas bebejecas ali à merda do Bar da Esquina”.

Inesperadamente, a caminhar por entre os pensos higiénicos e restos de comida aparece a Maluca: “Olhem pó que eu vos digo! Olhem pó que eu vos digo! O meu hálito é tão fedorento que deve ter cor e deve dar para ler as palavras…”. E afasta-se, com as mãos atrás das costas a olhar pó chão como quem sabe o que está ali a fazer.

Mais tarde no Bar da Esquina, Daniel e Martim encontram-se a beber as ditas bebejecas quando, repentinamente, a mulher mais bela e alta que alguma vez os dois viram entra e dirige-se à mesa deles: “Quim Zé Nãofaznenhum, porque estás aqui? Era suposto irmos às compras juntos, planear o nosso belo casamento! Não sem antes, claro, passarmos pelo favela dos pobres e distribuir comida! Ah… quem me dera acabar com a fome no mundo! Enfim, vemo-nos ao jantar! Pera lá… trocaste os olhos, agora andas numa de lentes? Bem, até logo!” E afasta-se não sem antes espetar o belo do beijo cinematográfico ao Martim estarrecido, para depois dizer: “Hummm… andas a treinar…”

Embora tivessem ficado estranhamente confusos com a cena, Daniel Caralhadas e Martim Apodrecido dirigem-se pó Bairro dos Fedidos, morada dos dois. Ao chegar a casa, Martim apercebe-se de que os pais, Connie e Tesus se encontram atarefados a estrear o colchão novo que Martim havia encontrado na lixeira, e que tinha posto no seu quarto. Vai então para o quarto dos pais, forra a cama com papel higiénico para ter a certeza que não encontra pequenas poças de liquido não identificável, e adormece a pensar naquele beijo de fim de tarde que lhe fez arrepiar os pêlos de um sítio que nós cá sabemos. Quem seria aquela mulher?

1 Comments:

  • At 12:10 AM, Anonymous Anonymous said…

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